O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica atingiu em 2025 o maior valor da série histórica nas três etapas avaliadas ao mesmo tempo — algo que não havia acontecido desde a criação do indicador, em 2005. Os dados foram divulgados pelo MEC e pelo Inep na quarta-feira.
Considerando todas as redes, os anos iniciais do fundamental foram de 6,0 para 6,3; os anos finais, de 5,0 para 5,3; e o ensino médio, de 4,3 para 4,5.
Duas dessas três etapas continuam abaixo da meta.
O recorde e a régua
Os anos iniciais superaram o alvo de 6,0. Os anos finais ficaram 0,2 ponto abaixo dos 5,5 esperados. E o ensino médio, com 4,5, está 0,7 abaixo da meta de 5,2 — a maior distância das três.
Aqui cabe uma informação que costuma sumir das manchetes: essas metas foram definidas para 2021, e projetadas há quase duas décadas, num contexto educacional bem diferente. Não existe série oficial de metas vigente para 2025. Dizer que o país “bateu a meta” nos anos iniciais é literalmente verdade — só que a meta era para quatro anos atrás.
A avaliação foi a maior já feita: 5,9 milhões de estudantes, 73,7 mil escolas e 247,7 mil turmas.
A briga que ninguém pode resolver com os dados publicados
O Ideb não mede só aprendizagem. Ele combina dois componentes: a proficiência medida pelo Saeb e o fluxo escolar, que é a taxa de aprovação.
Daí a principal crítica ao resultado. Especialistas apontam que uma rede pode elevar o índice simplesmente aprovando mais alunos — e a taxa de aprovação é justamente o componente que a própria gestão escolar controla.
O MEC rebate dizendo que a alta não veio só do fluxo, já que as notas de português e matemática subiram em todas as etapas. O secretário de Educação do Paraná, Roni Miranda Vieira, cujo estado liderou as três etapas, foi mais direto: “É uma coisa muito fraca e rasa. Esse tipo de comentário normalmente é choro de quem não tem nada para entregar.”
O problema é que nenhum dos dois lados apresentou a conta. A divulgação não trouxe a decomposição do índice mostrando, rede por rede, quanto do avanço veio da aprovação e quanto veio da proficiência. Sem esse número, tanto a tese do ministério quanto a dos críticos são interpretação — não fato verificado.

Subir ponto não é subir de nível
Há um detalhe técnico com consequência prática grande.
As notas do Saeb ficam numa escala de 0 a 500, dividida em níveis de domínio. Na rede pública, o 5º ano subiu de 207,6 para 215,1 em português — ganho de 7,5 pontos que não mudou o nível de proficiência. No 9º ano, tanto em português quanto em matemática, o avanço também não foi suficiente para trocar de faixa.
Ou seja: “melhorou” e “aprendeu mais” não são, neste caso, a mesma afirmação. O aluno médio continua sabendo fazer o mesmo tipo de coisa que sabia em 2023, com um pouco mais de acerto.
Segundo o Todos Pela Educação, apenas os anos iniciais alcançam nível adequado em português e matemática na rede pública. Os anos finais estão no nível básico. E a matemática no 3º ano do ensino médio permanece abaixo do básico — são jovens terminando a educação básica, prestando Enem e entrando no mercado de trabalho sem domínio mínimo da disciplina.
O abismo entre redes e entre estados
No ensino médio, a rede estadual marcou 4,3 e a privada, 5,8. Um ponto e meio de diferença na etapa final da escolarização.
A distância geográfica é da mesma ordem. O Paraná foi o único estado no topo das três etapas, com 7,0 nos anos iniciais, 5,9 nos finais e 5,1 no médio. No outro extremo do ensino médio estão Amazonas e Roraima, empatados em 3,8. Um estudante de Roraima está 1,3 ponto abaixo de um paranaense na mesma etapa.
Ceará, Santa Catarina, Espírito Santo, Minas, São Paulo, Goiás e Piauí aparecem logo atrás do líder.
Uma ressalva necessária a qualquer ranking que circule nos próximos dias: os números mudam conforme o recorte. O mesmo estado pode aparecer melhor ou pior dependendo de a conta considerar só a rede pública ou todas as redes, porque a rede privada puxa a média para cima onde ela é grande. Todos os dados deste texto são de todas as redes, salvo onde indicado.
Há avanço de base, e ele é real
Apesar das ressalvas, um número resiste a qualquer relativização: o de municípios com Ideb abaixo de 4,9 nos anos iniciais caiu de 4.110 em 2005 para 1.097 em 2023 e para 442 em 2025.
É a base da pirâmide, onde o problema começa, e ela encolheu quase pela metade em dois anos.
Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco, atribui os avanços a políticas mantidas ao longo do tempo, com metas claras, monitoramento das escolas e uso de evidências — e cita oito estados com trajetória consistente: Paraná, Piauí, Goiás, Ceará, Espírito Santo, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. É uma leitura que credita continuidade, não gestão pontual, num ano em que o indicador tende a virar material de campanha.
Os resultados por escola só ficam disponíveis em 28 de agosto, no site do Inep. Até lá, qualquer ranking de escola específica que circular não veio da base oficial.











