Algar assina venda de operação de IoT à Arqia por R$ 720 milhões

Algar assina venda de operação de IoT à Arqia por R$ 720 milhões

A Algar Telecom assinou no dia 10 de agosto um contrato vinculante para vender sua operação de Internet das Coisas à Arqia Participações e Serviços por R$ 720 milhões, valor sujeito a ajustes usuais. A Arqia é controlada pelo grupo britânico Wireless Logic. O negócio ainda não está fechado: depende de aprovação do Cade e da Anatel, e nenhuma data de conclusão foi anunciada.

A operadora de Uberlândia recebeu quatro propostas pela unidade. A Arqia venceu. Quem eram os outros três candidatos não foi revelado.

“Claro que havia a condição financeira, que era importante para evoluir com qualquer um dos quatro players candidatos, mas a relevância era uma segunda condição importante”, disse Gustavo Uramoto Matsumoto, diretor financeiro da Algar Telecom.

O chip M2M multioperadora alterna entre as redes de Algar, Vivo, Claro e TIM — e é justamente o produto que as três concorrentes contestaram em 2020.
O chip M2M multioperadora alterna entre as redes de Algar, Vivo, Claro e TIM — e é justamente o produto que as três concorrentes contestaram em 2020.

O que a Algar está vendendo

A unidade de IoT da Algar nasceu em 2019, mirando dois mercados: comunicação máquina a máquina (M2M) e maquininhas de cartão. Sete anos depois, a empresa aparece na quarta posição do ranking da Anatel, com 4,16 milhões de acessos — 7,3% do mercado. É importante entender o que esse número mede: são acessos M2M e PoS na contagem da agência, o que inclui cada terminal de pagamento espalhado pelo comércio. Não são clientes.

O mercado brasileiro de M2M e IoT tinha 57,97 milhões de acessos em junho de 2026, segundo a Anatel. A Vivo lidera com 19,76 milhões (34,7%), seguida por Claro com 17,44 milhões (30,1%) e TIM com 7,53 milhões (13,2%). A Datora, marca da Arqia, tem cerca de 4,05 milhões — 6,7%.

A conta é direta. Se o negócio for aprovado, Arqia e Algar somariam aproximadamente 8,2 milhões de acessos e passariam a TIM, assumindo a terceira posição do setor. É uma projeção que só existe no papel enquanto Cade e Anatel não se pronunciarem.

Receita e EBITDA da unidade de IoT não foram divulgados. Sem esses números, não há como calcular que múltiplo o comprador pagou.

A briga de 2020 que nunca foi resolvida

O produto mais conhecido do IoT da Algar é o chip M2M multioperadora: um SIM único que alterna entre as redes da própria Algar, da Vivo, da Claro e da TIM. Para um cliente com frota espalhada pelo país, isso resolve o problema da cobertura irregular.

Em 14 de setembro de 2020, as três grandes operadoras atacaram publicamente o produto. Eduardo Polidoro, diretor de IoT da Claro, afirmou que “roaming permanente não é permitido no Brasil”. Alexandre Dal Forno, da TIM, foi na mesma linha: “É uma questão de regulação, não de opinião”. Diego Aguiar, da Vivo, resumiu: “roaming permanente é proibido”. A Algar respondeu na ocasião que “não há qualquer irregularidade”.

A disputa é de 2020 e nunca foi decidida. Ficou em aberto — até agora.

Quem homologa os contratos são as concorrentes

A transação depende da homologação dos chamados contratos estruturantes. São exatamente os contratos de rede que fazem o chip multioperadora funcionar — os acordos com Vivo, Claro e TIM. Na prática, quem homologa esses contratos são as empresas que cinco anos atrás disseram publicamente que o produto violava a regulação.

Há um detalhe que muda a natureza da conversa. Do outro lado da mesa deixa de estar uma operadora regional mineira, com quatro mil funcionários CLT em Uberlândia, e passa a estar um grupo estrangeiro de private equity. A Wireless Logic tem sede no Reino Unido, é controlada pela Montagu e conecta mais de 18 milhões de dispositivos em 165 países — números globais do grupo, que não descrevem a operação brasileira.

Tomas Fuchs comanda a Arqia; Oliver Tucker é o CEO da Wireless Logic.

Quanto tempo isso deve levar

Há um precedente recente para calibrar a expectativa. A compra da Um Telecom pela V.tal foi anunciada no fim de 2025, recebeu anuência da Anatel em fevereiro de 2026 e aprovação do Cade em 13 de maio de 2026. Entre cinco e seis meses do anúncio ao aval final.

Para a Algar, o dinheiro tem destino definido. “Um passo consciente para acelerar os investimentos nas nossas soluções completas de TI e Telecom”, disse Eliane Garcia Melgaço, presidente da companhia. A empresa registrou receita líquida de R$ 735,7 milhões no primeiro trimestre de 2026 e carrega dívida líquida de R$ 2,74 bilhões, com alavancagem de 2,27 vezes.

Os R$ 720 milhões, quando entrarem, entram sujeitos a ajustes.

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