“A Odisseia” passa de US$ 900 milhões e deve ser o quarto filme de 2026 a chegar a US$ 1 bilhão

“A Odisseia”, de Christopher Nolan, ultrapassou US$ 911,4 milhões em bilheteria mundial na terceira semana em cartaz — cerca de R$ 4,6 bilhões. São US$ 395,5 milhões nos Estados Unidos e no Canadá e US$ 515,9 milhões no resto do mundo.

Na semana que vem, o filme deve cruzar a marca de US$ 1 bilhão. Se isso acontecer, será o quarto de 2026 a chegar lá.

A escalada em três semanas

O ritmo diz mais que o número final.

O fim de semana de estreia rendeu US$ 264,1 milhões no mundo, a maior abertura da carreira de Nolan — superou “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, que fizera US$ 249 milhões. Em 12 dias, o total global já era de US$ 727,9 milhões, o que colocava o longa como o quarto maior filme do ano. No fim de semana mais recente, somou outros US$ 51 milhões apenas no mercado americano.

No recorte doméstico, “A Odisseia” chegou a US$ 320 milhões mais rápido que qualquer outro filme do diretor, incluindo “Oppenheimer”.

Vale a ressalva que a própria Universal faz: os recordes são em valores nominais, sem correção pela inflação. Comparação de bilheteria entre décadas diferentes sem esse ajuste favorece sempre o filme mais recente.

Um épico adulto sem franquia por trás

Aqui está o dado que torna o caso incomum.

Os outros três filmes que passaram de US$ 1 bilhão em 2026 são “Toy Story 5”, “Super Mario Galaxy” e “Michael”, a cinebiografia de Michael Jackson. Duas franquias consolidadas e uma biografia de uma das figuras mais conhecidas do século.

“A Odisseia” não é nada disso. É um épico de três horas para público adulto, orçado em US$ 250 milhões, baseado num poema atribuído a Homero há quase três mil anos. Não tem universo compartilhado, não tem sequência anunciada, não tem personagem que o público já conhecia de outro filme.

A tese corrente em Hollywood — de que só propriedade intelectual estabelecida sustenta orçamento dessa faixa — não explica esse resultado. O que parece ter funcionado foi tratar o lançamento como evento: a venda antecipada de ingressos para salas IMAX começou cerca de um ano antes da estreia, e a procura levou cinemas a abrir sessões de madrugada.

O ano ajuda a dimensionar. Quatro filmes acima de US$ 1 bilhão num mesmo ano é número que o cinema não via com regularidade desde antes da pandemia, quando o hábito de ir à sala escura começou a disputar espaço com o streaming. Que um deles seja um épico adulto de três horas sugere que o problema nunca foi o público ter sumido — e sim o que estava sendo oferecido a ele.

A venda antecipada para salas IMAX começou cerca de um ano antes da estreia, e a procura levou cinemas a abrir sessões de madrugada.
A venda antecipada para salas IMAX começou cerca de um ano antes da estreia, e a procura levou cinemas a abrir sessões de madrugada.

A conta fecha

Com US$ 250 milhões de orçamento, o filme precisava de bilheteria bem acima disso para dar lucro. A regra prática do setor é que a arrecadação deve chegar a algo entre duas e três vezes o custo de produção, porque o valor bruto é dividido com as redes exibidoras e o marketing costuma consumir de metade a um orçamento inteiro a mais.

Nessa conta, o ponto de equilíbrio ficaria em torno de US$ 600 a 750 milhões. O filme passou disso na terceira semana.

Convém dizer o que não se sabe: os estúdios não divulgam o custo de marketing nem os termos exatos de divisão com os exibidores, que variam por país e por semana de exibição. Toda estimativa de lucro em bilheteria é aproximação — inclusive esta.

O que o público achou

A recepção acompanhou o desempenho comercial. O filme tirou nota A no CinemaScore, pesquisa feita com espectadores na saída da sessão de estreia, e registrou 97% de aprovação entre o público no Rotten Tomatoes.

É a primeira produção de Nolan desde “Oppenheimer”, de 2023, vencedor do Oscar de melhor filme e melhor direção. Matt Damon interpreta Odisseu na tentativa de voltar para casa depois da Guerra de Troia, enfrentando criaturas mitológicas, tempestades e a interferência dos deuses.

A nota do CinemaScore merece um contexto que raramente aparece: ela mede a reação de quem já queria ver o filme e foi na estreia — o público mais favorável possível. Serve para prever boca a boca, não para avaliar qualidade. O que ela indica, no caso, é que o filme não perdeu público nas semanas seguintes, e é exatamente isso que os números mostram.

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